A última viagem começa...
Não há como voltar atrás.

Você é o Juiz

O Passageiro da Última Viagem

Marcelo dirigia a última linha de ônibus da cidade.

Terminal Central até Bairro das Pedras.

Todos diziam que, depois da meia-noite, aquela linha não deveria mais existir.

Mas Marcelo precisava do dinheiro.

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A linha saía todos os dias às 23h40. Quase sempre vazia. Um bêbado, uma enfermeira, dois trabalhadores cansados. Nada além disso.

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Na primeira noite de chuva, Marcelo viu uma mulher parada no ponto da antiga fábrica. Ela usava um vestido branco, sujo na barra.

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Ela entrou sem dizer nada, pagou com três moedas antigas e sentou no último banco.

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Quando Marcelo olhou pelo retrovisor, o banco estava vazio.

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Ele parou o ônibus. Procurou embaixo dos bancos. Nada. Só as três moedas no caixa.

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No dia seguinte, contou ao fiscal. O homem ficou pálido e disse: "Você viu a passageira da curva."

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Marcelo riu. Achou que era brincadeira de funcionário antigo.

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Na noite seguinte, exatamente 00h13, ela apareceu de novo no mesmo ponto.

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Dessa vez, Marcelo não abriu a porta. Mas a catraca girou sozinha.

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O marcador acusou uma passagem paga. No caixa, estavam mais três moedas antigas.

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Marcelo começou a tomar remédio para dormir. Fazia semanas que acordava ouvindo alguém bater na janela do quarto.

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A empresa revisou as câmeras do ônibus. Nenhuma mulher apareceu nas imagens.

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Mas o áudio captou algo baixo, como uma voz feminina dizendo: "Ele ainda está aqui."

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O supervisor disse que poderia ser interferência. Marcelo quis acreditar.

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Na terceira noite, uma adolescente entrou no ônibus. Sentou perto da porta e ficou olhando para o último banco.

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Ela perguntou: "Moço, quem é aquela mulher?"

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Marcelo quase freou. Pela primeira vez, alguém além dele via a passageira.

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A adolescente se chamava Lívia. Disse que a mulher fazia sinal para ela descer antes do ponto final.

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Marcelo não deixou. Disse que era perigoso. A estrada era escura, sem casas por perto.

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No ponto final, Lívia havia desaparecido.

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A mochila dela ficou no banco. O celular estava no chão, gravando.

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No vídeo, não aparecia nenhuma mulher. Apenas Marcelo olhando pelo retrovisor e falando sozinho.

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A polícia foi chamada. Marcelo virou suspeito.

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No armário dele, encontraram moedas antigas iguais às usadas pela passageira.

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Marcelo disse que guardou as moedas como prova. Mas ninguém acreditou.

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Na garagem da empresa, encontraram um vestido branco dentro de uma caixa.

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O vestido tinha barro na barra. O mesmo barro da estrada do ponto final.

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O delegado perguntou se Marcelo havia criado a lenda para encobrir alguma coisa.

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Marcelo jurou que não. Mas sua voz tremia.

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Então encontraram uma notícia antiga de 1978. Uma mulher chamada Amélia morreu atropelada naquela linha.

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A foto dela era idêntica à mulher que Marcelo dizia ver.

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Mas havia um detalhe estranho: Amélia era avó de Marcelo.

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A família nunca contou isso a ele. Pelo menos era o que Marcelo dizia.

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Lívia reapareceu dois dias depois, viva, perto do cemitério velho.

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Ela estava em choque e repetia: "A mulher me tirou do ônibus antes dele chegar."

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Antes dele chegar. Quem era "ele"?

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A última câmera da estrada mostrou o ônibus parado. Uma sombra desceu pela porta da frente.

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A sombra parecia uma mulher. Mas, quando a imagem clareou, parecia Marcelo usando um vestido.

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⚠ Atenção: escolha irreversível.
Você só poderá ver um dos finais.
O outro permanecerá para sempre oculto neste dispositivo.

Agora você é o juiz. Marcelo estava enlouquecendo e encenou tudo? Ou Amélia realmente voltou para salvar Lívia de algo pior?

A Verdade Era Humana

Marcelo nunca viu fantasma algum. A passageira era uma criação da mente dele, alimentada por remédios, culpa familiar e noites sem dormir.

As moedas antigas estavam no armário porque ele mesmo as comprou. O vestido branco era usado para encenar aparições e assustar passageiros.

Lívia não foi salva por um espírito. Ela fugiu ao perceber que Marcelo não estava bem.

A sombra na câmera era Marcelo. A cidade queria acreditar em uma lenda, mas o terror era humano.

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A Verdade Era Sobrenatural

Amélia realmente voltou naquela linha. Não para assustar, mas para impedir que a história se repetisse.

Marcelo não era o monstro. Ele era apenas o único adulto capaz de ver o aviso.

As moedas eram a marca da presença dela. O vestido encontrado na garagem nunca pertenceu a Marcelo.

Lívia foi retirada do ônibus antes que algo pior acontecesse. A mulher da curva ainda estava trabalhando na última viagem.

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